sábado, 6 de junho de 2026

Obsessão

Obsessão. Obsession. De Curry Barker, 2026.

Meninas, não confiem nos garotos! Bruxos ou mágicos suas varinhas sempre vão falhar. Este é, pelo menos, o andar sub-reptício desta narrativa na qual o pobre rapaz perseguido é o perseguidor! Spoiler? Não, apenas uma tendência cultural contemporânea.

Como lidar com o terror que se abre ao masculino dos dias de hoje? Haverá ainda a legitimidade para um filme no qual um homem seja a vítima? Ou devemos tomá-lo como o eterno vitimizador?

O filme envolve o espectador com a proposta de uma entidade obsessiva despertada a partir de um brinquedo aparentemente banal, mas capaz de realizar qualquer desejo. Um rapaz tímido e inseguro deseja o amor incondicional da amiga. Antes, uma borboleta, agora uma mariposa! Sim, ela se torna uma quase entidade presa na luz emitida pela vela negra do controlador e mesquinho rapaz.

É um filme de terror e em sua aparente previsibilidade Bear seria a vítima. Mas em vários sentidos o amante medroso é o monstro a ser temido. Ele claramente está disposto a eliminar a autonomia da pessoa amada para possuí-la.

Bear, o rapaz sem pulso, sem tesão, sem nada, ama Nikki, que pode ou não gostar do dito cujo. Mas o próprio decide, ao não ser capaz de escutar seus reais desejos, trapacear com as vidas alheias ativando o brinquedo One wish willow. Mas quem não escuta os seus próprios desejos é incapaz de escutar os de terceiros.

Bear demanda o amor de Nikki nem que para isso tenha que destruí-la. Assim, sua conjuração gera na jovem um comportamento errático e monstruoso. Aos poucos ela vai se tornando um tormento para ele e para si própria. Com a humanidade de Nikki gradualmente dilacerada a relação tóxica e de codependência entre os dois torna-se letal.

Mas isso não é o suficiente para que ele se disponha a aliviar o controle metafísico e sobrenatural que de alguma maneira ele conseguiu estabelecer sobre ela. Embora as consequências de um desejo mal organizado não sejam uma novidade nas narrativas de horror, aqui ele assume as funções expedientes de uma crítica à idealização romântica.

[Brinquedinho perigoso esse danadinho]

No inglês, Niki pode ser uma das muitas formas de apelidar o diabo. Não se enganem, no entanto, o verdadeiro vilão é o rapaz que invoca algo do qual é incapaz de dar conta. Nesse sentido, o filme é uma crítica aos relacionamentos tradicionais de codependência, e em especial a atuação dita controladora dos homens.

Este texto não é uma crítica, apenas um comentário raso sobre um filme raso, mas com momentos assustadores. Eu poderia fazer um pedido para que ele se tornasse melhor, mas isso teria um custo. Prefiro que seja um texto despretensioso do blog a ser perdido e esquecido. Ou posso torná-lo algo memorável, mas à noite ele estará olhando para mim.

No thanks.

Cotação: ☕☕☕

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