Anaconda. De Tom Gormican, 2025.
O
filme se justifica apenas pela despretensão e pela vontade de dialogar com estereótipos
inofensivos: losers que não querem ser losers. O humor é
irregular e dependente dos recursos de autoparodia. Uma pilantragem
cinematográfica caracterizada na persona do Jack Black sempre disposto a
interpretar o sujeito mediano em busca da autorrealização (Nacho Libre, Escola
do Rock). Desta vez ele é um trabalhador frustrado do audiovisual que
decide fazer um remake na floresta amazônica.
As
subtramas são frágeis e não levam a lugar nenhum. O filme insiste de forma metalinguística
em sua desimportância, parece ter pouca convicção em revisitar o subgênero “cobra
gigante”. E, por isso, tenta outras amarrações, como o tema da crise da meia-idade.
Na versão original, a fragilidade do roteiro não era objeto de preocupação: o
terror e a ação se intercalavam sem mea culpas. Mas como um produto
perfeito da época em que se vive, a melancolia acaba habitando a nova projeção,
uma vez que todos parecem estar cientes da impossibilidade de o “remake”
superar o original (não que de fato fosse grande coisa).
Os
personagens partem para a floresta amazônica tentando fazer um filme de cobras
gigantes e, eventualmente, são perseguidos por cobras gigantes... Há figuras
vilanescas e astros decadentes que fazem rápidas aparições, mas não esperem muito
das reviravoltas. Elas cumprem a função de aumentar o tempo de projeção abrindo
espaço para gags de gosto duvidoso, como na cena em que o grupo precisa urinar
no personagem de Black. Soa como tentativa de arrancar risadas no ato final.
Como
exercício de metalinguagem cinematográfica Anaconda lembra um pouco Os
picaretas de 1999 (com Eddie Murphy e Steve Martin) e Trovão tropical
de 2008 (com Robert Downey, Ben Stiller e o próprio Jack Black). Esses dois, no
entanto, como comédias bem atualizadas para a época eram orgânicos, buscavam as
risadas a partir de um humor que realmente se propunha a ironizar a indústria
cinematográfica. O atual Anaconda optar por ironizar a autoparódia, em
vez de alfinetar Hollywood.
Alternando
entre o piloto automático e boas sequências, Anaconda 2025 é um ponto máximo do
que a comédia hoje pode nos entregar. Em um mundo no qual tudo está envelhecendo
rapidamente, precisamos acreditar que ainda há juventude em Jennifer Lopez e
Ice Cube que lá atrás aceitaram protagonizar o Anaconda original.
Parece
que finalmente Hollywood está sentindo o peso da idade.
Cotação: ☕☕


