Saint-Amour – na rota do vinho. Saint-Amour. De Benoît Delépine e Gustave Kervern, 2017.
Considerando nossa empatia por pessoas em situações embaraçosas, Saint-Amour é uma comédia melancólica com um sutil humor corporal. O filme sugere o desprezo na França pelos camponeses, retratados negativamente como “caipiras” e “agricultores”.
Dois produtores rurais, pai e filho, decidem fazer a rota do vinho durante uma exposição agropecuária em Paris. Eles são acompanhados por um jovem taxista, nessa procura por vinho, sexo e reconciliação familiar.
O patriarca Jean (interpretado por Gérard Depardieu) decide combater o alcoolismo do filho levando-o a fazer o tour do vinho... o tipo de resolução non-sense que aparecerá em outros momentos.
Enfatizando a solidão dos homens em geral e a dos agricultores franceses em particular, o road-movie coloca o álcool no centro da sociabilidade masculina. Para um camponês, a conquista amorosa não é fácil. Em uma sociedade fascinada pelo urbano como a francesa, o desprezo pela vida no campo não seria surpreendente.
O vinho aparece pouco, é mais um pretexto – e aqui há um paralelo inevitável com uma comédia americana similar: Sideways, onde o vinho é o elemento estruturante da narrativa. O ritmo é lento, alternando entre o ridículo e a tristeza dos personagens. Há algumas alegorias inesperadas, como cena em que, sem maiores explicações, a amazona olha para a Torre Eiffel.
O filme parece dizer que, seja homem do campo ou da cidade, o sentido da existência encontra-se nos laços humanos – verdadeiro antídoto contra a aspereza da vida. Assim, mais inebriante que o vinho seria o Amour, o Saint-Amour.
Cotação:☕☕☕

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