terça-feira, 31 de março de 2026

O que deixamos para trás


O que deixamos para trás
. His house. De Remi Weekes, 2020.

Interessante filme de terror-dramático que apresenta a perspectiva de refugiados sudaneses na Inglaterra. A narrativa aborda as dificuldades de um casal (que perdeu a filha durante a fuga do Sudão) em se adaptar à nova vida. Após conseguirem uma autorização provisória para permanecerem no país, Bol e Rial, são instalados em uma casa na periferia de Londres. No entanto, a casa parece conter fantasmas e entidades relacionados a um bruxo africano. São seres que estão cobrando a conta pelas ações anteriores de Bol.

A sensação de isolamento é ampliada pelo fato deles contarem com pouca boa vontade dos locais, incluindo do serviço social. Eles sentem-se compungidos a passar uma imagem positiva para os ingleses, mas são antagonizados pelo preconceito social e racial. Bol, o marido, parece mais disposto à integração, enquanto Rial lida com seus traumas (intensos!) de maneira diferente. Mas há algo interno à casa e a eles próprios que os fragilizam ainda mais – colocando em risco o status de refugiado.

O filme funciona bem como drama existencial, reflexão intimista dos asilados e até representação do folclore africano. Mas como terror propriamente dito carece de maior constância. Não é muito difícil prever o desdobramento e as revelações, bem como antever o desfecho levemente otimista para vidas que sofreram com a guerra fratricida. Como bem postula Rial, em um momento de discussão com o marido, ela não teria medo de “fantasmas”, pois o verdadeiro perigo são os vivos.

Na perspectiva de refugiados africanos, nada mais verdadeiro...

Cotação: ☕☕☕

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