Maggie: a Transformação. Maggie. De Henry Hobson, 2015.
O
filme retrata um futuro pós-apocalíptico no qual um patógeno Necroambulist
virus tem causado impacto mundial, transformando pessoas em zumbis. Wade Vogel,
interpretado por Arnold Schwarzenegger, precisa proteger sua filha infectada e
desenganada.
O
principal objeto do filme é a relação entre Wade e Maggie, um fazendeiro e uma
adolescente interiorana, em um mundo no qual os laços sociais estão se desconstruindo.
Embora os mortos-vivos apareçam em alguns momentos, colocando o filme dentro do
gênero de George Romero, a dimensão de uma dramática distopia é o que prevalece.
Trata-se
de um mundo cinzento e sem esperança, algo recuperado pela própria fotografia. O
vírus não atingiu apenas os humanos, mas animais e plantas. Os fazendeiros
precisam incendiar as plantações, por isso a fumaça espalhada acentuando o
aspecto sem cor. A paleta morta com tons amadeirados também favorece uma
narrativa lúgubre.
O
filme funciona muito bem como metáfora da desestruturação comunitária. As
cidades destruídas e as áreas urbanas abandonadas lembram um contexto de guerra
civil. Maggie, retirada da zona de quarentena por seu pai tem uma percepção apurada
do que está acontecendo não só com ela, mas o mundo. Seu fim – reconhecidamente
prematuro – se aproxima e ela tenta resolver suas questões antes que sua
desumanização se complete. A figura protetora e angustiada do pai, ciente de
sua obrigação quando a transformação se completar, observa o processo com firmeza
inabalável (mas internamente desesperado).
O
filme poderia desenvolver melhor o lore daquele universo, profundamente
promissor. É uma narrativa curta, um cinema independente, que preserva o núcleo
essencial. Nos dias de hoje estaria serializado em diversas temporadas, com inúmeros
cliffhangers.
Está
bem situado entre o terror e o drama. A impressão que fica é que faltou
material para melhor dimensionar esse universo. A relação de Maggie com os
amigos é apresentada de forma sucinta, mas eficaz. Não resvala, nem de leve, no
dramalhão adolescente. A ligação da moça com a madrasta e os meios-irmãos também
funciona, mesmo com poucos elementos.
A
principal falta é a caracterização da ameaça zumbi: como aconteceu e de que
forma foi controlada, se é que o foi. Mas aí, reconheço, seria um filme
totalmente diferente. De qualquer forma, os zumbis aparecem, mas sem destaque.
Com
um desfecho trágico e levemente conveniente, Maggie satisfaz o espectador desejoso
de ver um filme de zumbis em um diapasão mais melancólico.
Cotação: ☕☕☕

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