terça-feira, 1 de setembro de 2026

Contra o mundo

Contra o mundo. Boy Kills World. De Moritz Mohr, 2024.

A safra de filmes patéticos está em alta, estamos no vale tudo cinematográfico onde a estetização barata tenta suportar todas as construções caóticas vendidas sobre a promessa de fruição estética irreverente e pós-decadentista, banhado em um cenário kitsch e pasteurizado, ou seria pastelão?

A frase acima faz ou não faz sentido? Isso depende, “Contra o mundo” faz sentido? Receio que não. Vai vendo...

Histórias excessivamente rocambolescas com reviravoltas previsíveis e ao mesmo tempo sem nexo. Personagens que aparecem para serem esquecidos, tornando-se muletas convenientes para o roteiro mal concebido. É a forma sobre o conteúdo, mas o conteúdo inexiste e a forma está torta.

Um mix de todos os filmes de distopia totalitária lançados ao longo das últimas décadas. Influências (leia-se imitações) de “Fahrenheit 451” (1966), “O sobrevivente” (1987), “Equilibrium” (2002), Old boy” (2003), Divergente” (2014), Uma noite do crime” (2013) e tantos outros.

Dificuldade de organizar a geografia do lugar: é uma selva, uma favela terceiro-mundista, uma cidade soviética, uma sociedade de consumo? É tudo e nada ao mesmo tempo. Do que se trata? Povo da selva, povo do gueto? Povo ameaçado por pupilos de Stálin? Povo consumista que só quer se empanturrar de cereais? Decidam! É uma metáfora, é uma alegoria, é um lore, é uma banalidade? É a alegoria de uma metáfora banal. Lore de lorota, pronto, falei, gostei.

Incomunicabilidade extrema, não apenas pelo protagonista surdo-mudo, mas pelo excesso de gaps comunicacionais: estados lisérgicos, esquizofrenia, delírio coletivo, ódios ancestrais: tudo e a nada ao mesmo tempo.

Não brinco, falo sério: o real antagonista é o transmorfo que se interpõe aos rivais quase incestuosos, separados por cínicos carinhosos que tentam parar fêmeas fortes com ferrões agudos que se automutilam como escorpiões. E tem abacaxi, bode e pirata. Vale tudo!

Tudo vendido em uma embalagem de testosterona, oferecendo performances de artes marciais que já foram vistas diversas outras vezes. Nada novo, falta novidade.

Falta, também, coerência, falta lógica, falta bom senso, falta bom gosto, falta vergonha na cara.

Cotação: ☕

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