Contra o mundo. Boy Kills World. De Moritz Mohr, 2024.
A safra de filmes patéticos está em
alta, estamos no vale tudo cinematográfico onde a estetização barata tenta
suportar todas as construções caóticas vendidas sobre a promessa de fruição estética
irreverente e pós-decadentista, banhado em um cenário kitsch e pasteurizado, ou
seria pastelão?
A frase acima faz ou não faz
sentido? Isso depende, “Contra o mundo” faz sentido? Receio que não. Vai
vendo...
Histórias excessivamente
rocambolescas com reviravoltas previsíveis e ao mesmo tempo sem nexo. Personagens
que aparecem para serem esquecidos, tornando-se muletas convenientes para o
roteiro mal concebido. É a forma sobre o conteúdo, mas o conteúdo inexiste e a
forma está torta.
Um mix de todos os filmes de
distopia totalitária lançados ao longo das últimas décadas. Influências
(leia-se imitações) de “Fahrenheit 451” (1966), “O sobrevivente”
(1987), “Equilibrium” (2002), “Old boy” (2003), “Divergente”
(2014), “Uma noite do crime” (2013) e tantos outros.
Dificuldade de organizar a geografia
do lugar: é uma selva, uma favela terceiro-mundista, uma cidade soviética, uma
sociedade de consumo? É tudo e nada ao mesmo tempo. Do que se trata? Povo da
selva, povo do gueto? Povo ameaçado por pupilos de Stálin? Povo consumista que
só quer se empanturrar de cereais? Decidam! É uma metáfora, é uma alegoria, é
um lore, é uma banalidade? É a alegoria de uma metáfora banal. Lore
de lorota, pronto, falei, gostei.
Incomunicabilidade extrema, não
apenas pelo protagonista surdo-mudo, mas pelo excesso de gaps
comunicacionais: estados lisérgicos, esquizofrenia, delírio coletivo, ódios
ancestrais: tudo e a nada ao mesmo tempo.
Não brinco, falo sério: o real antagonista
é o transmorfo que se interpõe aos rivais quase incestuosos, separados por
cínicos carinhosos que tentam parar fêmeas fortes com ferrões agudos que se automutilam
como escorpiões. E tem abacaxi, bode e pirata. Vale tudo!
Tudo vendido em uma embalagem de
testosterona, oferecendo performances de artes marciais que já foram vistas
diversas outras vezes. Nada novo, falta novidade.
Falta, também, coerência, falta
lógica, falta bom senso, falta bom gosto, falta vergonha na cara.
Cotação: ☕

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