quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

We bury the dead


Enterramos os mortos
. We bury the dead. De Zak Hilditch, 2025.

O filme não convence muito bem com suas premissas: mandar civis resgatar os corpos das vítimas de um experimento militar que podem ou não despertar a qualquer instante. Não são exatamente zumbis, mas também não deixam de sê-los. Afinal, para que mandar os militares limparem os erros deles se há civis despreparados e angustiados para isso...

Em We bury the dead temos que executar um pouco de boa vontade para acompanhar as desventuras de Ava (Daisy Ridley) que decide ir para Tasmânia a fim de recuperar o corpo do marido, vítima de um acidente militar. O problema é que alguns corpos estão voltando à vida e parte deles demonstram sinais de agressividade. Mas Ava tem assuntos não resolvidos e ao invés de pagar um terapeuta de luta (como faria um sujeito normal) decide embarcar em um survive road movie.

É pouco convincente a escolha de cidadãos comuns para isso – sobretudo porque a maioria dos voluntários estão lá para resgatar os corpos de seus familiares. Além disso, não recebem nenhum tipo de treinamento. É um pretexto limitado para justificar a presença de Ava em meio aos destroços de uma ilha inundada por cadáveres.

A metáfora do zumbi como um assunto inacabado é até interessante, no entanto tal temática já foi tratada quase que a exaustão. Em melhor medida podemos citar o livro Handling the Undead (2005) do sueco John Ajvide Lindqvist que, recentemente, virou filme. Há outras séries que abordam essas questões como a francesa Les Revenants (2012) e a inglesa In the Flesh (2013-2014). Isso sem falar em Maggie (2015), aquele filme no qual Arnold Schwarzenegger recusa-se a abandonar a filha em processo de zumbificação.

A direção é bastante irregular, nem sempre conseguindo dar um tom de terror pós-apocalítico. Há pequenas pitadas de humor negro e uma melancolia onipresente que se apresenta na fotografia, fortalecendo assim a ideia de que não são exatamente os mortos que têm assuntos inacabados, mas os vivos que recusam a deixá-los descansar.

Faltou o esforço de compreensão das reais angústias dos mortos-vivos – eles sofrem? Eles têm raiva? Por que alguns atacam e outros não? Estão adquirindo a consciência? Esses aspectos foram deixados de lado para a angulação do luto pouco convincente de Ava. É uma história mediana de zumbis dentro de um filme que poderia ter se esforçado mais.

Cotação: ☕☕☕